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sexta-feira, 12 de abril de 2013

                          
                           A Coragem da Resignação

A palavra «resignação» não tem boa reputação.
Lembra atitude devota, passividade, lágrima ao canto do olho. 

E todavia, não é isso.
Em face dos limites de uma condição, da morte e do nada que vem nela, que outro nome dar à aceitação calma, à fria impassibilidade?
A revolta em tal caso pode falar ao nosso orgulho, à imagem de grandeza que queiramos se tenha de nós. 

Mas é uma imagem ridícula.
Ela responde ainda, não ao reconhecimento do que nos espera, mas a uma notícia recente e não assimilada que disso nos dessem.
A coragem não está na atitude espectacular, mas na serena e recolhida e modesta aceitação.
Temos assim tendência a julgar herói o que enfrenta a morte com atitudes de grandiosidade, não o que a enfrenta no seu recanto, em silêncio e discrição. 

Mas o espec­táculo é ainda uma forma de compensar o desastre da morte — é ainda uma forma de uma parcela de nós se recusar a morrer.
Quem morre resignado morre todo por inteiro, nada ele assim recusa do que a morte lhe exige.


Vergílio Ferreira (1916-1997)

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