A HORA DOS LEIGOS
Pe. José António Pagola
IV – OS SERVIÇOS DO LEIGO NA IGREJA
Depois de séculos de
clericalismo, não é fácil imaginar as possibilidades que se oferecem aos leigos
que assumem a sua participação com pleno direito como membros responsáveis e
activos do Povo de Deus.
1.Diversidade
de vocações, carismas e serviços
A diversidade de vocações, carismas e serviços
constitui uma fonte inesgotável de
enriquecimento e renovação para a comunidade eclesial. Os leigos e as
leigas, como vamos ver, podem fazer-se presentes em todos os campos, a partir da sua própria identidade laical, junto aos presbíteros e junto
aos leigos e leigas consagrados a Deus na vida religiosa.
Os serviços dos leigos dependem da sua vocação, que tem que ser bem discernida,
do seu estado de vida (casados,
solteiros, viúvos/as), das suas qualidades,
das necessidades na comunidade, etc.
São tarefas e serviços que podem ser realizados de maneira individual ou
associada, através de vias e estruturas permanentes ou de forma mais
conjuntural e espontânea, mas sempre em articulação com os outros carismas da
comunidade e sempre ao serviço do bem comum.
Esta actividade pluriforme e variada deve ser
entendida sempre dentro de uma Igreja-comunhão, onde o «ministério ordenado»
tem o serviço de representar Cristo como princípio de vida e de animação, como
princípio de unidade e comunhão.
2.A
tarefa profética dos leigos
Todo o Povo de Deus é responsável pela missão profética e
evangelizadora. Todos os membros do Povo de Deus são chamados a anunciar a
Palavra de Deus de muitas e diversas maneiras. Todos podem dar e receber a
Palavra, todos podem evangelizar e ser evangelizados.
Qual é a tarefa própria do
presbítero? Enquanto representante de Cristo, como princípio de vida, a ele se lhe encomenda o serviço de
recordar a todos que a Palavra salvadora vem de Deus, não é fruto do nosso
esforço nem reflexão. Só Cristo é o salvador do Evangelho. O presbítero deve
preocupar-se com o facto de que aquela Palavra que está a ser anunciada naquela
comunidade, seja realmente a Palavra de Cristo, não a arbitrariedade de uma
pessoa ou de um grupo. Por outro lado, enquanto representante de Cristo como
princípio de unidade, o presbítero é o responsável de que, no anúncio do
Evangelho, não haja confrontos nem dissensões, mas sim diálogo,
complementaridade, colaboração ordenada. Pede-se, pois, ao presbítero que
suscite vocações para o anúncio do Evangelho e para a catequese, que favoreça o
respeito, a escuta mútua e a colaboração entre todos, e que o que se anuncia e
comunica seja o Evangelho de Cristo.
Assim, para este serviço,
são os leigos e leigas chamados a anunciar o Evangelho com pleno direito em todas as ordens. Eles podem pregar, catequisar
crianças, jovens e adultos, dirigir espiritualmente, fazer Exercícios, ensinar
teologia, falar com os doentes, expor a mensagem cristã, preparar para a
recepção adequada dos sacramentos, denunciar situações injustas, educar os seus
filhos na fé, dar testemunho do Evangelho em qualquer situação, dialogar com pessoas
afastadas.
Em 1997, foi dada a conhecer
uma Instrução elaborada conjuntamente por oito Congregações romanas sobre algumas
questões acerca da colaboração dos leigos no ministério dos sacerdotes. Ao falar
do «ministério da Palavra» afirma que
«os fiéis não ordenados participam segundo
a sua própria índole na função profética de Cristo, são constituídos suas testemunhas
e providos do sentido da fé e da graça da palavra». Ao mesmo tempo, dá algumas
orientações: reserva a homilia durante a celebração da Eucaristia somente aos ministros
ordenados, mas os leigos podem fazer breves explicações, dar o seu testemunho, participar
num diálogo moderado pelo presbítero e fazer homilias fora da Eucaristia.
(…)
Beijos e abraços
Ana Maria

Sem comentários:
Enviar um comentário