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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ida à Televisão
Há uns dias atrás, concorri a um concurso televisivo e fui seleccionada. No dia acertado, fui a Paço d’Arcos gravar, juntamente com mais 5 concorrentes. Acompanharam-me o meu filho mais velho e a minha nora, grávida de 4 meses :)).
Concluídos os trâmites burocráticos e feito o “briefing”, fui, com os outros concorrentes, conduzida ao camarim para tratarem da maquilhagem e do cabelo.
Até aqui tudo muito bem, embora, de vez em quando, sentisse um friozinho na barriga, só de pensar onde me tinha metido… Sempre que vejo o concurso em casa, respondo acertadamente à maioria das perguntas que se colocam, confortavelmente sentada no meu sofá.
Mas ali … a coisa fia mais fino. As luzes, a quantidade de pessoas envolvidas, num vai-vem constante, a maquilhagem, o apresentador, as câmaras, todo um mundo que nunca tinha experienciado, faz com que nos sintamos pequeninos e não tenhamos alternativa senão a de nos colocarmos nas mãos de quem sabe da poda.
Quando chegou o momento de iniciar a gravação, notei que o apresentador também estava um pouco nervoso. Pensei para comigo: Ele faz isto tantas vezes e ainda se sente nervoso?!. O calor era grande. Apercebi-me do que o apresentador disse: “Seja o que Deus quiser”. É curioso que sempre o tive como pessoa não religiosa, aliás, afirmado publicamente por ele próprio, noutras ocasiões.
Momentos antes, o meu filho, a minha nora e eu tínhamos estado a rezar e tínhamos concluído assim a nossa oração: “Pai, que seja feita a Tua vontade”, o que equivale, praticamente, ao pedido do apresentador.

Apesar do nervoso, no fundo, no fundo, “convenci-me” de que poderia fazer uma boa prestação.
Ao nome do concurso, porém, acresce as palavras  “alta pressão”. Efectivamente, a alta pressão, pelos poucos segundos concedidos para cada resposta, está muito presente in loco, em tudo o que ali nos rodeia: a começar pela cadeira onde os concorrentes se sentam diante do apresentador: vermelha e demasiado alta, de tal modo que os concorrentes não têm apoio para os pés, ficando estes “pendurados” e transmitindo uma sensação de instabilidade. Depois, o chão do palco, onde tudo se passa, é constituído por painéis transparentes, imitando o vidro. Ao passar-se por cima – e logo eu que sou “uma mulher de peso” – parece que aquilo tudo se vai partir e nós nos vamos despencar lá em baixo. A seguir, os holofotes, colocados no chão do palco, retiram-nos toda a possibilidade de orientação porque ficamos completamente “cegos” com a intensidade da luz. Alta pressão mesmo!
A primeira concorrente respondeu às 5 perguntas básicas – as mais fáceis – e passou-me a sexta.
Quando fui chamada, o meu coração rebentava no peito e nem sei como cheguei à tal cadeira … Lá me consegui sentar. Já tinha ouvido a pergunta e achava que sabia a resposta, tinha a certeza que sabia! Estava fartérrima de saber o título do livro daquela autora! Ainda por cima, literatura é a minha área!
Quando, na verdade, chegou o momento do tempo começar a contar (devo abrir aqui um parêntesis para dizer que outra coisa que contribui para a tal pressão é a falta do “fósforo a arder” que se vê em casa na nossa televisão - e nos permite gerir o nosso tempo de resposta. Mas NÃO ali: é o apresentador que vai dizendo quanto tempo nos resta, "bloqueei" de tal modo que não consegui ter a calma suficiente para pensar. Bastava acalmar-me e pensar um pouquinho, pois tinha tempo para isso. Não senhor, bloqueei logo a resposta e claro … errei! Não era a A, mas a C! E eu sabia tão bem a resposta! Estava feito e não havia volta a dar-lhe!

Reflectindo sobre isto tudo, acho que recebi uma lição de humildade. No meu íntimo, apesar do nervoso miudinho e de todas aquelas condicionantes de que me fui apercebendo à medida que se aproximava a hora do início, continuava “convencida” de que podia ter uma boa prestação. Como se diz em Inglês: “I took it for granted”.

Ficou a experiência de ter entrado num estúdio de gravação, de ter visto, ao vivo e a cores, como as coisas funcionam, de observar a camaradagem que existe e de me ter divertido bastante. O prémio foi ganho, muito justamente, pelo Pedro, que conseguiu manter a serenidade e se bateu valentemente.

Estamos sempre a aprender … que a humildade não fica mal a ninguém … e que Deus não perde uma oportunidade para no-lo fazer recordar. Obrigada, Senhor!

Beijos e abraços
Ana Maria

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