A HORA DOS LEIGOS (Cont.)
Pe. José António Pagola
4. Exigência da corresponsabilidade
A corresponsabilidade exige ir avançando até uma distribuição adequada das tarefas e responsabilidades, num clima de comunicação e complementaridade. Todos, leigos e presbíteros, têm que ir encontrando o seu lugar na comunidade eclesial. Não se trata de promover o dos leigos para que absorvam tarefas e funções que são próprias dos presbíteros. Nem tão pouco de que os presbíteros continuem a monopolizar tudo, incluindo o que os leigos hão-de fazer. Corresponsabilidade não significa a renúncia por parte dos presbíteros, nem passagem de responsabilidades próprias a outros, mas sim distribuição e animação adequada de todos os carismas.
Nem inibições, nem excessos. A corresponsabilidade exige, portanto, que: leigos e presbíteros assumam a sua própria responsabilidade, realizem o seu serviço com generosidade, sem se inibirem e sem cairem na passividade, sem se desentenderem ou actuarem como meros espectadores; exige também não se excederem, respeitarem o carisma dos demais, confiarem uns nos outros, colaborarem, não invadirm campos, não açambarcarem outros carismas e funções, exercerem o sentido de complementaridade.
Pedagogia de participação – é necessário desenvolver muito mais uma pedagogia de responsabilidade e de participação. Confiar nas pessoas, dar responsabilidades, promover experiências protagonizadas por leigos, por modestas e limitadas que possam parecer. Oferecer campos novos aos leigos, desenvolver as possibilidades das pessoas, acompanhar o seu crescimento, capacitar, formar…
Para que tudo isto não fique apenas na boa vontade, é necessário assegurar vias de participação e responsabilidade: assembleias, conselhos, comissões… Caso contrário, a corresponsabilidade fica bloqueada. Temos que interromper o “círculo vicioso”: a nossa Igreja é clerical porque não temos leigos responsáveis e não temos leigos responsáveis porque a nossa Igreja é clerical O único caminho é responsabilizar os leigos, promovendo vias adequadas e incentivando a sua formação.
(...)Beijos e abraços
Ana Maria

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