Páginas

domingo, 15 de abril de 2012

A HORA DOS LEIGOS (Cont.)
Pe. José António Pagola


2. A experiência da comunhão eclesial
Mas o que é esta comunhão de todos? Em que consiste? Esta comunhão não é de ordem sociológica. Não é fruto de um consenso conseguido pelo jogo das maiorias e minorias até chegar a um acordo doutrinal ou pastoral.
Não é tão pouco de ordem jurídica. Não se consegue por decreto, de maneira institucional. Não é a autoridade hierárquica que consegue a comunhão ou a unidade.
A comunhão é criada pelo Espirito de Cristo, presente em toda a Igreja e em cada um dos seus membros. A hierarquia não faz senão presidir a essa comunidade que só pode ser criada pelo Espírito de Cristo derramado nos nossos corações. Vamos deter-nos nesta comunhão de ordem espiritual.
A primeira coisa que devemos recordar é que o Espírito não é privilégio de um grupo ou de um estado especial. O Espírito doa-se a toda a comunidade eclesial. “Num só Espírito fomos baptizados e todos bebemos de um só Espírito (1 Co 12, 13). O mesmo Espírito age em todos nós. É ele que cria a Igreja, é ele que lhe dá a sua força, lhe infunde o seu dinamismo, a unifica e vivifica permanentemente. É ele que cria a comunhão («koinonia»), a comunidade do Espírito. A sua primeira acção é construir a comunhão eclesial. Não há na Igreja sectores que gozem da garantia do Espírito e sectores privados do Espírito. Todo o Povo de Deus possui o Espírito. O Espírito é para todos. «E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse não é de Cristo.» (Rom 8,9).

O Espírito nunca desfaz a comunhão, não desagrega o Povo de Deus. Os diversos dons ou carismas (charismata) que se dão na Igreja devem ser entendidos e vividos como manifestação e concretização da única graça (charis) do Espírito, que anima toda a Igreja. Por isso «a manifestação do Espírito dá-se a cada um para o bem comum» (1 Co 12, 7). O Espírito não separa ninguém dos demais, nem o situa acima dos outros. Nem a hierarquia deve ser entendida como se ela fosse a primeira depositária do Espírito de Cristo e que só a partir dela, o mesmo se transmite aos demais.

Por ele, ninguém pode pretender guardar para si o Espírito e menosprezar ou ignorar a acção do Espírito nos outros. Essa é a grande tentação da hierarquia: crer que o Espírito tem que passar necessariamente por ela para actuar, dinamizar e dirigir a sua Igreja. Pelo contrário, a comunhão exige sentido de complementaridade, diálogo, colaboração, correcção mútua. Necessitamos todos uns dos outros. «Não pode dizer o olho à mão: não preciso de ti; nem a cabeça aos pés: não preciso de vós.» (1Co 12, 21). O Espírito comunica os seus dons de tal maneira que todos necessitam de todos e ninguém pode pensar que, com o seu dom do Espírito, se encontra acima dos demais.
(...)

Beijos e Abraços
Ana Maria

Sem comentários: