A Vocação dos Leigos e das Leigas
Um cristão dos primeiros tempos da Igreja, seja da época dos apóstolos e
dos primeiros mártires, seja de alguns séculos depois, ter-se-ia admirado de
que alguém pudesse duvidar do facto, para ele evidente, de que todos os
cristãos são chamados a participar activamente da missão da Igreja.
Séculos depois, na Idade Média, o leigo passa a mero e silencioso ouvinte; torna-se o que não sabe o latim (idioma oficial da Igreja), o inculto, o analfabeto, que não tem acesso à Bíblia. A missão ficou nas mãos da hierarquia e, parcialmente, dos religiosos e religiosas consagradas. Assim nasceu e progrediu a distância entre hierarquia e laicado, entre clero e povo.
Neste período o que distingue os leigos dos demais fiéis é, em primeiro lugar, a chamada "definição negativa", pela qual o termo leigo, pelo menos desde Tertuliano, adquiriu o sentido técnico de cristão "não pertencente ao clero", ou seja, leigo é quem não tem ordens sacras! Esse conceito bastante negativo tem raiz na clericalização da Igreja, quando, na verdade, os cristãos leigos e, de modo particular, as cristãs leigas encontravam-se totalmente excluídos da participação directa na vida e na acção da Igreja, limitando-se a apenas cumprir as ordens emanadas pela hierarquia.(...)
Séculos depois, na Idade Média, o leigo passa a mero e silencioso ouvinte; torna-se o que não sabe o latim (idioma oficial da Igreja), o inculto, o analfabeto, que não tem acesso à Bíblia. A missão ficou nas mãos da hierarquia e, parcialmente, dos religiosos e religiosas consagradas. Assim nasceu e progrediu a distância entre hierarquia e laicado, entre clero e povo.
Neste período o que distingue os leigos dos demais fiéis é, em primeiro lugar, a chamada "definição negativa", pela qual o termo leigo, pelo menos desde Tertuliano, adquiriu o sentido técnico de cristão "não pertencente ao clero", ou seja, leigo é quem não tem ordens sacras! Esse conceito bastante negativo tem raiz na clericalização da Igreja, quando, na verdade, os cristãos leigos e, de modo particular, as cristãs leigas encontravam-se totalmente excluídos da participação directa na vida e na acção da Igreja, limitando-se a apenas cumprir as ordens emanadas pela hierarquia.(...)
Graças ao Concílio Vaticano II, essa
compreensão foi superada com um grande esforço de todos para recuperar a
originalidade perdida. Assim, na Constituição Dogmática sobre a Igreja
"Luz dos povos" (Lumen Gentium), antes de falar da hierarquia
(cap. lll) e dos leigos (cap. IV), fala do povo de Deus (cap. II). É a Igreja
na sua totalidade, naquilo que é comum a todos os membros. Aí o Concílio
superou a distância entre hierarquia e laicado e a desigualdade tão perniciosa.
A noção de povo de Deus exprime a profunda unidade, a comum dignidade e fundamental habilitação de todos os membros da Igreja à participação na vida da Igreja e à co-responsabilidade na missão. Assim, quando o Concílio fala da "Actividade missionária da Igreja", diz:
"Como membros de Cristo vivo e incorporados e configurados pelo Baptismo e também pela Confirmação e a Eucaristia, obrigados se acham todos os fiéis ao dever de cooperar na expansão e dilatação de seu corpo, para o levarem quanto antes à plenitude. Convençam-se por isso vivamente todos os filhos da Igreja da sua responsabilidade para com o mundo. Empenhem-se com afinco na obra da evangelização"(AG 36).
O Concílio Vaticano II está interessado em descrever positivamente o leigo. Por isso, partindo da ênfase sobre o Baptismo, vai afirmar a sua Incorporação a Cristo',' constituição no povo de Deus',' participação na tríplice função de Cristo e, consequentemente, a sua participação na missão comum a todo o povo cristão. Estes elementos, porém, são comuns a todos os membros da Igreja. O leigo exerce a missão do povo cristão "na Igreja e no mundo". Em relação aos clérigos e aos religiosos, o leigo é o cristão que vive no mundo.
A descrição pode parecer equívoca, pois também o ministro ordenado e o religioso vivem no mundo. O que é, porém, diferente é o 'modo' de o leigo estar presente no mundo:
"Lá são chamados por Deus para que, exercendo seu próprio ofício guiados pelo espírito evangélico, a modo de fermento, contribuam para a santificação do mundo e assim manifestem Cristo aos outros".
O concílio exorta os cristãos a procurarem desempenhar fielmente as suas tarefas terrenas, guiados pelo espírito do Evangelho.
Afastam-se da verdade os que, sabendo não termos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura, julgam, por conseguinte, poder negligenciar os seus deveres terrestres, sem perceberem que estão mais obrigados a cumpri-los, por causa da própria fé, de acordo com a vocação à qual cada um foi chamado.
Assim os leigos deverão buscar e promover o bem comum:
• Na defesa da dignidade do homem e de seus inalienáveis direitos à vida, à segurança, ao trabalho, à moradia, à educação, à religião, à participação em associações livres, à posse da terra;
• Na protecção dos mais fracos e necessitados: crianças, anciãos, marginalizados, jovens, desempregados, encarcerados, operários;
• Na construção da paz, da liberdade, da justiça, "apresentar a fisionomia duma Igreja comprometida com a promoção da justiça nos nossos povos" (Puebla 777); "sério compromisso com a promoção da justiça e do bem comum, agente de justiça" (Puebla 793).
Por isso o leigo cristão é "homem da Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja" (Puebla 787).
• Deve marcar, completar, transfigurar "valores "do mundo: poder, cultura, eficiência, progresso, realização.
• Através dos valores evangélicos testemunhados na sua vida e no seu agir: serviço, participação, valorização do homem, comunhão, promoção do outro, libertação dos pequenos e oprimidos.
A VOCAÇÃO DOS LEIGOS E LEIGAS
Como membro do povo de Deus, o leigo é chamado a ser fermento de santidade, testemunhando as riquezas do seu Baptismo e Confirmação. Ele traz ao conjunto da Igreja a sua experiência de participação nos problemas, desafios e urgências do seu mundo secular, das pessoas, grupos sociais e povos.
• "Consciente de sua realidade de baptizado, deve participar na pastoral de conjunto, na sua planificação e execução"
(Puebla 807-808),
• "Promovendo na Igreja estruturas de diálogo, de participação e acção pastoral de conjunto, expressão de maior consciência de pertença à Igreja" (Puebla 794-799).
Por isso assume trabalhos diversificados dentro da comunidade (ministérios).
ESPIRITUALIDADE DO CRISTÃO
A espiritualidade do seguimento é fundamental para a vivência cristã. O Espírito ensina-nos o verdadeiro seguimento de Jesus e suscita hoje uma espiritualidade mais integrada, em que todas as dimensões humanas são contempladas: a corporeidade, a afectividade, a emoção, a racionalidade, a criatividade e a sociabilidade.
Os discípulos de Emaús caminharam junto com Jesus, experimentaram sua presença, acolheram o sentido da cruz e regressaram à comunidade, animados e encorajados. Esse encontro com Jesus é experiência do mistério que nos circunda e envolve, que aquece os corações, que seduz as pessoas, proporcionando um sentido novo às nossas vidas. A paixão por Jesus leva-nos a viver a compaixão, a solidariedade e a fazer da partilha fraterna nosso estilo de vida.
A espiritualidade não é "uma parte da vida, mas a vida inteira guiada pelo Espírito" de Jesus. “Entre os elementos de espiritualidade que todo o cristão deve assumir como próprios, destaca-se a oração. A oração levará o leigo, aos poucos, a ver a realidade com um olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer a Deus em cada instante e em todas as coisas; de contemplá-lo em cada pessoa; de procurar cumprir a sua vontade nos acontecimentos".
A espiritualidade não afasta da vida quotidiana
Especialmente leigos e leigas devem buscar a santidade dentro de suas próprias condições de vida. É o que ensina o Concílio Vaticano II. Após ter afirmado com vigor a vocação de todos os fiéis à santidade, a Constituição Lumen Gentium propõe alguns itinerários espirituais não apenas a ministros e consagrados, mas também aos esposos e pais, aos trabalhadores, aos pobres, aos sofredores, aos perseguidos pela justiça, concluindo: "Todos os fiéis santificar-se-ão dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da sua vida, nas suas ocupações e circunstâncias, e precisamente através de todas essas coisas, desde que as recebam com fé das mãos do Pai Celeste e cooperem com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo". (CNBB, Doe. n° 62; 176-180)
Textos bíblicos para meditar:
-Mt 5, 13-16
-Lc 10,1
A noção de povo de Deus exprime a profunda unidade, a comum dignidade e fundamental habilitação de todos os membros da Igreja à participação na vida da Igreja e à co-responsabilidade na missão. Assim, quando o Concílio fala da "Actividade missionária da Igreja", diz:
"Como membros de Cristo vivo e incorporados e configurados pelo Baptismo e também pela Confirmação e a Eucaristia, obrigados se acham todos os fiéis ao dever de cooperar na expansão e dilatação de seu corpo, para o levarem quanto antes à plenitude. Convençam-se por isso vivamente todos os filhos da Igreja da sua responsabilidade para com o mundo. Empenhem-se com afinco na obra da evangelização"(AG 36).
O Concílio Vaticano II está interessado em descrever positivamente o leigo. Por isso, partindo da ênfase sobre o Baptismo, vai afirmar a sua Incorporação a Cristo',' constituição no povo de Deus',' participação na tríplice função de Cristo e, consequentemente, a sua participação na missão comum a todo o povo cristão. Estes elementos, porém, são comuns a todos os membros da Igreja. O leigo exerce a missão do povo cristão "na Igreja e no mundo". Em relação aos clérigos e aos religiosos, o leigo é o cristão que vive no mundo.
A descrição pode parecer equívoca, pois também o ministro ordenado e o religioso vivem no mundo. O que é, porém, diferente é o 'modo' de o leigo estar presente no mundo:
"Lá são chamados por Deus para que, exercendo seu próprio ofício guiados pelo espírito evangélico, a modo de fermento, contribuam para a santificação do mundo e assim manifestem Cristo aos outros".
O concílio exorta os cristãos a procurarem desempenhar fielmente as suas tarefas terrenas, guiados pelo espírito do Evangelho.
Afastam-se da verdade os que, sabendo não termos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura, julgam, por conseguinte, poder negligenciar os seus deveres terrestres, sem perceberem que estão mais obrigados a cumpri-los, por causa da própria fé, de acordo com a vocação à qual cada um foi chamado.
Assim os leigos deverão buscar e promover o bem comum:
• Na defesa da dignidade do homem e de seus inalienáveis direitos à vida, à segurança, ao trabalho, à moradia, à educação, à religião, à participação em associações livres, à posse da terra;
• Na protecção dos mais fracos e necessitados: crianças, anciãos, marginalizados, jovens, desempregados, encarcerados, operários;
• Na construção da paz, da liberdade, da justiça, "apresentar a fisionomia duma Igreja comprometida com a promoção da justiça nos nossos povos" (Puebla 777); "sério compromisso com a promoção da justiça e do bem comum, agente de justiça" (Puebla 793).
Por isso o leigo cristão é "homem da Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja" (Puebla 787).
• Deve marcar, completar, transfigurar "valores "do mundo: poder, cultura, eficiência, progresso, realização.
• Através dos valores evangélicos testemunhados na sua vida e no seu agir: serviço, participação, valorização do homem, comunhão, promoção do outro, libertação dos pequenos e oprimidos.
A VOCAÇÃO DOS LEIGOS E LEIGAS
Como membro do povo de Deus, o leigo é chamado a ser fermento de santidade, testemunhando as riquezas do seu Baptismo e Confirmação. Ele traz ao conjunto da Igreja a sua experiência de participação nos problemas, desafios e urgências do seu mundo secular, das pessoas, grupos sociais e povos.
• "Consciente de sua realidade de baptizado, deve participar na pastoral de conjunto, na sua planificação e execução"
(Puebla 807-808),
• "Promovendo na Igreja estruturas de diálogo, de participação e acção pastoral de conjunto, expressão de maior consciência de pertença à Igreja" (Puebla 794-799).
Por isso assume trabalhos diversificados dentro da comunidade (ministérios).
ESPIRITUALIDADE DO CRISTÃO
A espiritualidade do seguimento é fundamental para a vivência cristã. O Espírito ensina-nos o verdadeiro seguimento de Jesus e suscita hoje uma espiritualidade mais integrada, em que todas as dimensões humanas são contempladas: a corporeidade, a afectividade, a emoção, a racionalidade, a criatividade e a sociabilidade.
Os discípulos de Emaús caminharam junto com Jesus, experimentaram sua presença, acolheram o sentido da cruz e regressaram à comunidade, animados e encorajados. Esse encontro com Jesus é experiência do mistério que nos circunda e envolve, que aquece os corações, que seduz as pessoas, proporcionando um sentido novo às nossas vidas. A paixão por Jesus leva-nos a viver a compaixão, a solidariedade e a fazer da partilha fraterna nosso estilo de vida.
A espiritualidade não é "uma parte da vida, mas a vida inteira guiada pelo Espírito" de Jesus. “Entre os elementos de espiritualidade que todo o cristão deve assumir como próprios, destaca-se a oração. A oração levará o leigo, aos poucos, a ver a realidade com um olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer a Deus em cada instante e em todas as coisas; de contemplá-lo em cada pessoa; de procurar cumprir a sua vontade nos acontecimentos".
A espiritualidade não afasta da vida quotidiana
Especialmente leigos e leigas devem buscar a santidade dentro de suas próprias condições de vida. É o que ensina o Concílio Vaticano II. Após ter afirmado com vigor a vocação de todos os fiéis à santidade, a Constituição Lumen Gentium propõe alguns itinerários espirituais não apenas a ministros e consagrados, mas também aos esposos e pais, aos trabalhadores, aos pobres, aos sofredores, aos perseguidos pela justiça, concluindo: "Todos os fiéis santificar-se-ão dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da sua vida, nas suas ocupações e circunstâncias, e precisamente através de todas essas coisas, desde que as recebam com fé das mãos do Pai Celeste e cooperem com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo". (CNBB, Doe. n° 62; 176-180)
Textos bíblicos para meditar:
-Mt 5, 13-16
-Lc 10,1
Beijos e Abraços
Ana Maria

Sem comentários:
Enviar um comentário