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domingo, 5 de dezembro de 2010

“Deus é Amor” (cf. I Jo 4, 8.16)


A essência de Deus é o amor. “O próprio ser de Deus é Amor” (cf. Catecismo da Igreja Católica – art. nº. 221).

O verdadeiro Amor, não se resume em sentimento ou mérito, senão Deus não teria motivo de nos amar, devido a nossa natureza pecadora. Também, se Deus, pela sua essência, não amar os seres humanos por causa dessa natureza falha, Ele não seria Deus, pois o amor não seria perfeito se não ultrapassasse a barreira dos nossos pecados. (cf. Catecismo da Igreja Catoólica - art. nº 277)

Por tudo isso, uma das faces que o Hino ao Amor que São Paulo declama é que, o Amor “Tudo desculpa” (cf. I Cor 13, 7). O perdão é uma forma de amar, que reside além da face da paixão, esta que, nivela os sentimentos bons aos ruins. A paixão coloca no mesmo nível gosto, desejo, ódio, prazer, raiva.

Perdoar é amar decidindo pelo bem alheio, próprio e mutuo. Requer esforço e decisão. Não fica preso aos sentimentos, por isso mesmo, é que vai além das primeiras impressões da nossa humanidade que são os instintos, mas eleva a alma pela busca da perfeição que está na essência do Senhor.

A palavra “perdoar” tem origem latina – perdonare. É junção do prefixo “per” = (acima de, através de) com o radical “donare” = (doar ou conceder). Concluímos então que, perdoar é algo acima de doar-se, é uma ação através da concessão de si mesmo. Na língua portuguesa o prefixo – per, significa inteiro, todo. Ex: percurso (todo curso, rumo), perímetro (inteira metragem), dessa forma, perdoar é doar-se por inteiro. E que bela definição do amor!

Pedir perdão tira de nós a força do orgulho. Exercita o coração em extrair as vaidades de querer ter razão, de querer estar acima dos outros, de admitir os erros.

No lado inverso, quando somos magoados, estampamos que somos vulneráveis à aceitação do outro. Que a ofensa é capaz de levar um pedaço do nosso bem estar. É como declarar: “você tem poder de violar meus sentidos! sou suscetível à sua boa ou má aceitação de mim!” E ao dar o perdão, você que já atestou vulnerabilidade, coloca os afetos novamente em risco, com o agravante de ter um retrospecto negativo. Começar tudo de novo, a partir de uma ferida. Mas é aí então que avançamos saindo do que é sentimento e elevando-nos em favor da perfeição. “Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? O que fazeis de extraordinário?” (cf. Mt 5, 46-47).

O ato de perdoar é capaz de restabelecer a boa saúde. A ciência confirma que alguns casos de dores nas costas, falta de ar, má circulação sanguínea, ulceras e até de câncer, estão intimamente ligados à falta de perdão.

Somos “membros do corpo de Cristo” (cf. Ef 5, 30). Por este motivo temos uma ligação espiritual. “uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros. O bem de Cristo é comunicado a todos os membros” (cf.. Catecismo da Igreja Católica - art. nº. 947). A falta de reconciliação abre rupturas nesse vínculo, instala processos entre nós, que propiciam brechas para a ação do inimigo de Deus, em nossa vida. Além do mais, Jesus vincula na oração do Pai Nosso, a nossa entrada na comunhão do Seu Corpo Místico e consequentemente na oferta Dele ao Pai, somente se perdoamos os nossos irmãos. “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido.” (cf. Mt 6). “Este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam. O amor como o corpo do Cristo é indivisível” (cf. Catecismo da Igreja Católica – art.nº. 2840) Também “o perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus com seu Pai e dos homens entre si” (cf. Catecismo da Igreja Católica – art.nº. 2844).

O Advento é o tempo de preparar a alma para chegada do Senhor. Que tal iniciar esse tempo, trazendo harmonia ao coração através do perdão?

Durante o ano vivemos tantos desafios. Por vezes, geramos amarras e nós de desafetos com as pessoas, e preferimos desvencilharmo-nos daqueles que, mostram-se diferente a nós, do que agir em favor da reconciliação. É um sair de nós mesmos para nosso bem próprio também.

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