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terça-feira, 13 de abril de 2010

Encontro com o Sr. Florêncio

Há dias, estava eu na Junta de Freguesia a tratar de um assunto particular, quando entrou um senhor de meia-idade, aparentemente de Cabo Verde, a perguntar se sabiam de alguma casa para alugar, se o podiam ajudar.
Disseram-lhe que ali não, mas sugeriram-lhe que fosse a uma determinada secção dos serviços camarários que talvez ali o pudessem ajudar. Percebi que o senhor não conhecia bem a cidade e tinha alguma dificuldade em entender onde ficavam esses serviços e apeteceu-me dirigir-me a ele e oferecer-lhe ajuda. Mas estava muito pressionada pelo tempo e com compromissos inadiáveis. Saí e fiquei a pensar algum tempo se ele teria conseguido o seu intento e tentei esquecer o assunto.
Mas voltei a vê-lo na missa vespertina do sábado seguinte. Estava eu no Coro e vi-o ir receber a comunhão. No final, tentei localizá-lo para lhe perguntar como tinha corrido o assunto da casa, mas já não o vi. Perdi-o de vista, no meio da multidão que saía da Igreja. O meu coração aqueceu ao constatar que o tal senhor era também um irmão na fé. De vez em quando perguntava-me se o senhor já teria conseguido resolver o seu problema. O tempo foi passando. Até que, um dia, qual não é o meu espanto, quando o avisto junto da loja de uma estação de serviço, perto do local onde moro. Aí não resisti e fui mesmo falar com ele.
Expliquei-lhe que o tinha visto na Junta e na Igreja. Perguntei-lhe se sempre tinha conseguido alguma coisa. Ficou um pouco espantado, mas vencida a surpresa inicial, lá me contou o que se tinha passado e que tinha deixado o nome para o caso de surgir alguma possibilidade de uma casa. Agradeceu muito o meu interesse. Contou-me que era, efectivamente, de Cabo Verde e que estava em Portugal com a mulher e um filho – este a estudar em Lisboa – já há alguns anos, mas que ao Algarve tinha chegado recentemente e estavam a morar com uns primos, mas que precisava de uma casa só para ele e para a mulher. Lá lhe indiquei várias moradas para ele contactar. Apresentámo-nos e trocámos números de telemóveis, a seu pedido. O Sr. Florêncio, pois é assim que se chama, continua à procura de casa, as rendas são muito altas, diz ele. Mas de cada vez que nos encontramos na Igreja é uma festa: abraçamo-nos e damos um beijinho, perguntamo-nos pelas famílias, damos dois dedos de conversa até cada um seguir o seu caminho, na esperança de nos voltarmos a ver no fim-de-semana seguinte depois da Eucaristia.
Os desígnios do Senhor são insondáveis. Ao cruzar o meu caminho com o do Sr. Florêncio, permitiu que nos déssemos a conhecer um ao outro e que possamos, eventualmente, ajudá-lo a arranjar uma casa – a que ele e a sua pequena família possam chamar de lar.



Louvado seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Ana Maria

2 comentários:

Clara Palma disse...

As coisas mais importantes da vida são aquelas que, à primeira vista, nos parecem insignificantes. Que impacto poderias imaginar que este homem teria na tua vida e fizesse parte das tuas preocupações, quando o olhaste pela primeira vez. E eis que Cristo torna tudo diferente ... conseguiste vê-lo de outra forma. Obrigada por partilhares esta pequena história, que é para nós um testemunho de amor ao próximo. Dá-nos notícias sobre a "casa" do Sr. Florêncio, estamos ansiosos que a consiga. A nossa oração é também para ele e sua família.
Um abraço
Clara Palma

pelo próprio disse...

Olá Ana Maria!
Parabéns pelo (r)início do Blogue.
Gostei.
Este encontro com o Sr. Florêncio é a tradução da verdadeira fraternidade.
Continua com o bom trabalho.
Álvaro E.