Páginas

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


 
A HORA DOS LEIGOS (Cont.)
Pe. José António Pagola
 

(...)
4.Compromisso transformador
Mas o leigo cristão não está presente no mundo de qualquer maneira. A sua presença é motivada por um inequívoco compromisso transformador a favor de um mundo mais humano. Por isso, posiciona-se sempre a favor dos que sofrem de injustiça e da falta de solidariedade social.

Segundo o Concílio, a presença dos seculares no mundo, deve ser transformadora: «Os seculares, devem procurar, na medida das suas forças, sanear as estruturas e os ambientes do mundo.» O seu compromisso está direccionado para transformar ambientes, melhorar costumes, corrigir estruturas, evangelizar critérios de actuação, estados de opinião, apresentações colectivas, etc. Assim dizia Paulo VI: «Evangelizar significa para a Igreja levar a Boa Nova a todos os ambientes da humanidade e, com o seu influxo, transformar, a partir de dentro, e renovar a mesma humanidade … converter a consciência pessoal e colectiva dos homens, a actividade em que estão comprometidos, a sua vida e ambiente concretos.» Eles são chamados como ninguém a ser «sal», «luz» e «fermento». Disse João Paulo II: «As imagens evangélicas do sal, da luz e do fermento, ainda que se refiram indistintamente a todos os discípulos de Jesus, têm também uma aplicação específica aos fiéis leigos.»

5.Fazer presente a Igreja no mundo
Esta presença evangélica dos leigos no meio do mundo não é algo meramente individual e privado. Segundo, o Concílio, estão ali «fazendo a Igreja presente e operante». O leigo «converte-se, por sua vez, em testemunha e instrumento vivo da missão da mesma Igreja.»

Uma Igreja reduzida à sua vida interna, centrada no culto e na catequese, anunciando o Evangelho no interior dos templos, privada de leigos que, encarnados no mundo, façam presente o Reino de Deus, é uma Igreja sem força evangelizadora, sem vigor salvador.

Por isso, o Concílio disse: «Os leigos … são chamados a fazer particularmente presente e operante a Igreja em lugares e condições onde ela não pode ser sal da terra senão através deles. Assim, pois, todo o leigo, pelos mesmos dons que lhe foram conferidos, converte-se em testemunha e instrumento vivo, por sua vez, da mesma missão da Igreja na medida do dom de Deus. (Ef 4,7)».

6.Trazer a experiência do mundo ao interior da Igreja
Há também que recordar uma tarefa que às vezes se encontra em falta entre nós. Os leigos são chamados a trazer à Igreja a experiência de vida, os problemas, as preocupações, as interrogações do homem e da mulher de hoje. A partir da sua própria experiência no meio do mundo, devem «secularizar a Igreja», torná-la mais próxima da vida, mais humana, encarná-la na experiência das gentes. «Habituem-se os seculares a trabalhar na paróquia, intimamente unidos com os seus sacerdotes; a apresentar à comunidade da Igreja os problemas próprios do mundo, os assuntos que se referem à salvação dos homens, para examiná-los e solucioná-los através de uma discussão racional; e ajudar, segundo as suas forças, a toda a empresa apostólica e missionária da sua família eclesial».

7.O apostolado associado
São diversas as razões em que a Igreja se baseia para insistir hoje na necessidade de promover um apostolado associado de leigos, criando grupos, associações, movimentos, comunidades, etc. Ainda que o compromisso da maioria dos leigos seja individual e seja levado a cabo no âmbito natural e próximo de onde cada um vive (família, trabalho, vizinhança, etc), é importante impulsionar o associativismo. As razões são muitas.

a)          É mais fácil cuidar da própria espiritualidade laical em grupo, aprendendo, a partir da comunicação e do contraste de experiências, a fazer uma síntese entre fé e vida.
b)          É maior a possibilidade de uma formação integral, sistemática e organizada, uma aprendizagem do método da revisão de vida, etc.
c)          É mais fácil amadurecer a consciência de pertença à Igreja e a identidade comunitária e eclesial adulta.
d)          É mais fácil discernir a própria vocação em grupo, assumir responsabilidades e rever os compromissos adquiridos entre todos.
e)          É maior a possibilidade de sustentar o testemunho e incidir no compromisso transformador de um determinado âmbito (Movimento Familiar Cristão, Cristãos do Ensino), ou num ambiente concreto (Apostolado do Mar, Apostolado Rural, movimentos especializados, etc.)
Esta presença social é mais significativa e eficiente.
 (...)

Beijos e abraços
Ana Maria





 

Sem comentários: