A HORA DOS LEIGOS (Cont.)
Pe. José António Pagola
(...)
4.Compromisso
transformador
Mas o leigo cristão não
está presente no mundo de qualquer maneira. A sua presença é motivada por um
inequívoco compromisso transformador a favor de um mundo mais humano. Por isso,
posiciona-se sempre a favor dos que sofrem de injustiça e da falta de
solidariedade social.
Segundo o Concílio, a presença
dos seculares no mundo, deve ser transformadora: «Os seculares, devem procurar, na medida das suas forças, sanear as
estruturas e os ambientes do mundo.» O seu compromisso está direccionado
para transformar ambientes, melhorar costumes, corrigir estruturas, evangelizar
critérios de actuação, estados de opinião, apresentações colectivas, etc. Assim
dizia Paulo VI: «Evangelizar significa para
a Igreja levar a Boa Nova a todos os ambientes da humanidade e, com o seu
influxo, transformar, a partir de dentro, e renovar a mesma humanidade …
converter a consciência pessoal e colectiva dos homens, a actividade em que
estão comprometidos, a sua vida e ambiente concretos.» Eles são chamados
como ninguém a ser «sal», «luz» e «fermento». Disse João Paulo II: «As imagens evangélicas do sal, da luz e do
fermento, ainda que se refiram indistintamente a todos os discípulos de Jesus,
têm também uma aplicação específica aos fiéis leigos.»
5.Fazer
presente a Igreja no mundo
Esta presença evangélica
dos leigos no meio do mundo não é algo meramente individual e privado. Segundo,
o Concílio, estão ali «fazendo a Igreja
presente e operante». O leigo «converte-se,
por sua vez, em testemunha e instrumento vivo da missão da mesma Igreja.»
Uma Igreja reduzida à sua
vida interna, centrada no culto e na catequese, anunciando o Evangelho no
interior dos templos, privada de leigos que, encarnados no mundo, façam
presente o Reino de Deus, é uma Igreja sem força evangelizadora, sem vigor
salvador.
Por isso, o Concílio disse:
«Os leigos … são chamados a fazer
particularmente presente e operante a Igreja em lugares e condições onde ela
não pode ser sal da terra senão através deles. Assim, pois, todo o leigo, pelos
mesmos dons que lhe foram conferidos, converte-se em testemunha e instrumento
vivo, por sua vez, da mesma missão da Igreja na medida do dom de Deus. (Ef
4,7)».
6.Trazer
a experiência do mundo ao interior da Igreja
Há também que recordar uma
tarefa que às vezes se encontra em falta entre nós. Os leigos são chamados a
trazer à Igreja a experiência de vida, os problemas, as preocupações, as interrogações
do homem e da mulher de hoje. A partir da sua própria experiência no meio do mundo,
devem «secularizar a Igreja», torná-la mais próxima da vida, mais humana, encarná-la
na experiência das gentes. «Habituem-se os
seculares a trabalhar na paróquia, intimamente unidos com os seus sacerdotes; a
apresentar à comunidade da Igreja os problemas próprios do mundo, os assuntos que
se referem à salvação dos homens, para examiná-los e solucioná-los através de uma
discussão racional; e ajudar, segundo as suas forças, a toda a empresa apostólica
e missionária da sua família eclesial».
7.O apostolado
associado
São diversas as razões em que
a Igreja se baseia para insistir hoje na necessidade de promover um apostolado associado
de leigos, criando grupos, associações, movimentos, comunidades, etc. Ainda que
o compromisso da maioria dos leigos seja individual e seja levado a cabo no âmbito
natural e próximo de onde cada um vive (família, trabalho, vizinhança, etc), é importante
impulsionar o associativismo. As razões são muitas.
a)
É mais fácil cuidar da própria espiritualidade laical em grupo, aprendendo, a partir da comunicação
e do contraste de experiências, a fazer uma síntese entre fé e vida.
b)
É maior a possibilidade de uma formação integral, sistemática e organizada, uma aprendizagem do método
da revisão de vida, etc.
c)
É mais fácil amadurecer a consciência de pertença à Igreja e a identidade comunitária
e eclesial adulta.
d)
É mais fácil discernir a própria vocação em grupo, assumir
responsabilidades e rever os compromissos adquiridos entre todos.
e)
É maior a possibilidade de sustentar o testemunho e incidir
no compromisso transformador de um determinado âmbito (Movimento Familiar Cristão,
Cristãos do Ensino), ou num ambiente concreto (Apostolado do Mar, Apostolado Rural,
movimentos especializados, etc.)
Esta presença social é mais
significativa e eficiente.
(...)
Beijos e abraços
Ana Maria

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